A educação e o ensino e a política e a religião não se propagam como um vírus, mas têm algumas semelhanças.
Vislumbro, à primeira vista, uma diferença que me interessa: enquanto o vírus se limita a estar onde está e a ser o que é, aqueles não. Mas todos dependem de um hospedeiro.
E, em todos, mais ou menos, o hospedeiro sobrevive se e na medida em que desenvolver anticorpos.
Até pode ser uma declaração gratuita, mas a maior parte dos humanos não "sobrevive" e adoece e morre de qualquer modo, por efeito da educação, do ensino, da política e da religião.
Mas é uma fatalidade, o lado mau de algo que não podemos evitar, como se morrêssemos de viver, ou vivêssemos de morrer.
Se o cérebro fosse um órgão capaz de substituir a vida pela imaginação?!, mas não consegue completamente!
No paradigma da evolução foi concebido para sobreviver e ainda não evoluiu bastante.
Há uma cultura e uma realidade sociológica e humana que precisa de um cérebro adaptado a descobrir a verdade (isto não deve ser o meu cérebro a pensar de si mesmo!!!).
Pedir aos alunos, aos eleitores, aos fiéis?...O que é isso? ...O que é isso?
"Ser feliz é uma actividade que requer toda uma vida e não pode existir em menos tempo" - Aristóteles, Ética a Nicómaco
quarta-feira, 20 de maio de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2020
A minha arte é ser eu
Fernando Pessoa, como muitos dos humanos que nos habituamos a admirar, sem dificuldade e até a cultivar, tal é o fascínio que exercem, pela obra e pelo que foram/são,
é criação dele próprio, é uma obra de arte de si próprio, e tinha plena consciência disso, ao declarar "A minha arte é ser eu".
Quem diria melhor? E merece que
se fale dele e da sua obra.
A toda a volta da rua onde sentaram a sua estátua, podiam revestir as paredes exteriores com frases e versos que ele escreveu, que não falta material de beleza e riqueza inigualáveis.
Era um homem que vivia, como qualquer um, dentro do seu universo, de uma narrativa pessoal e social muito própria e, no caso de Pessoa, muito especial, de que parecia ter o comando, os objectivos, os mapas, os instrumentos, o leme e a consciência aguda disso e do que tudo isso representava em múltiplas perspectivas plausíveis, incluindo a dele (que eram várias).
A toda a volta da rua onde sentaram a sua estátua, podiam revestir as paredes exteriores com frases e versos que ele escreveu, que não falta material de beleza e riqueza inigualáveis.
Era um homem que vivia, como qualquer um, dentro do seu universo, de uma narrativa pessoal e social muito própria e, no caso de Pessoa, muito especial, de que parecia ter o comando, os objectivos, os mapas, os instrumentos, o leme e a consciência aguda disso e do que tudo isso representava em múltiplas perspectivas plausíveis, incluindo a dele (que eram várias).
Não tinha nada de desgraçado e era feliz,
à sua maneira, porque não se sentia frustrado e adorava a cidade palco, Lisboa, ou espaço de interacção, representação dos papéis que ele, com incrível determinação
e lucidez, escolhera e criara para si.
E sentia-se como peixe na água dentro da sua própria narrativa.
Muitos dos sentimentos e dos pensamentos que todos temos e frequentemente expressamos, como mundo oco e arbitrário,
cercado de gente mas solitário, ficarei contente neste mundo sem gente de repente...Fernando Pessoa, pura e simplesmente, não conhecia.
sábado, 25 de abril de 2020
Arte de pensar
Para quem gosta de pensar, não só pela necessidade de pensar mas também, e sobretudo, pelo prazer/sofrimento de pensar, que o pensar, entre ser espontâneo e ser acto pode não ser nada e pode ser muito.
E se for expresso em palavras e se forem gravadas, sobreleva às armas e às bombas e a todas as batalhas e guerras, como é fácil de comprovar na história.
Apesar de, ou embora perdurem os ecos das explosões e dos gritos e os efeitos da destruição de há mil anos, não passam de ecos distantes, a que quase todos são surdos e, mesmo assim, é preciso procurá-los em alguma forma de escrita.
Tem mais impacte e poder demolidor sobre uma cultura, e é mais subversiva, a declaração de uma "verdade", do que uma bomba atómica.
As armas e as bombas calam-se de imediato, as vítimas também, mas as palavras, mesmo soterradas, podem ressuscitar milénios depois.
Platão, Aristóteles...calaram-se, mas as suas palavras falaram cada vez mais e mais.
Entre as forças da natureza que a física declarou, ainda falta declarar, em alguma fórmula consistente, a força do pensamento.
Muitas vezes os pensamentos parecem surgir e fluir por si mesmos, permitindo-nos o prazer de os “observar” e de os avaliar, podendo até conduzi-los, detê-los, recuar e retomá-los, de igual modo ou de modo diferente.
Outras vezes, eles tomam-nos de assalto e brotam sem que os possamos simplesmente parar, podendo mesmo atormentar-nos fazendo-nos desejar desligar o cérebro e descansar.
As características do pensamento são muito curiosas porque este parece desdobrar-se, uma vezes mais facilmente do que outras, em pensamento e pensamento que se pensa a si mesmo, com intensidades que variam de um para o outro, por razões que nem sempre podemos controlar muito bem.
Este pensar sobre o próprio pensamento é algo como ter uma ideia e pensar sobre ela e pensar sobre este pensamento e sobre o outro e assim sucessivamente, dependendo a dificuldade do empenho que pusermos em não perder de vista a teia de raciocínios, de silogismos ou de ilações, ou de induções.
Assim sendo, há a possibilidade de uma disciplina sobre o pensamento, pelo menos enquanto acto, e é possível desenvolver estratégias e habilidades e arte de pensar.
E se for expresso em palavras e se forem gravadas, sobreleva às armas e às bombas e a todas as batalhas e guerras, como é fácil de comprovar na história.
Apesar de, ou embora perdurem os ecos das explosões e dos gritos e os efeitos da destruição de há mil anos, não passam de ecos distantes, a que quase todos são surdos e, mesmo assim, é preciso procurá-los em alguma forma de escrita.
Tem mais impacte e poder demolidor sobre uma cultura, e é mais subversiva, a declaração de uma "verdade", do que uma bomba atómica.
As armas e as bombas calam-se de imediato, as vítimas também, mas as palavras, mesmo soterradas, podem ressuscitar milénios depois.
Platão, Aristóteles...calaram-se, mas as suas palavras falaram cada vez mais e mais.
Entre as forças da natureza que a física declarou, ainda falta declarar, em alguma fórmula consistente, a força do pensamento.
Muitas vezes os pensamentos parecem surgir e fluir por si mesmos, permitindo-nos o prazer de os “observar” e de os avaliar, podendo até conduzi-los, detê-los, recuar e retomá-los, de igual modo ou de modo diferente.
Outras vezes, eles tomam-nos de assalto e brotam sem que os possamos simplesmente parar, podendo mesmo atormentar-nos fazendo-nos desejar desligar o cérebro e descansar.
As características do pensamento são muito curiosas porque este parece desdobrar-se, uma vezes mais facilmente do que outras, em pensamento e pensamento que se pensa a si mesmo, com intensidades que variam de um para o outro, por razões que nem sempre podemos controlar muito bem.
Este pensar sobre o próprio pensamento é algo como ter uma ideia e pensar sobre ela e pensar sobre este pensamento e sobre o outro e assim sucessivamente, dependendo a dificuldade do empenho que pusermos em não perder de vista a teia de raciocínios, de silogismos ou de ilações, ou de induções.
Assim sendo, há a possibilidade de uma disciplina sobre o pensamento, pelo menos enquanto acto, e é possível desenvolver estratégias e habilidades e arte de pensar.
domingo, 19 de abril de 2020
Que a justiça seja a última a morrer
É sempre bem vindo um pensamento que salta o muro ou que, se não pode sair pela porta sai pela janela e, se não puder sair pela janela sai pelo buraco da fechadura, porque é livre, porque é livre.
Obrigar a pensar.
É possível pensar que um sistema político, económico, social... não pode ser confundido com uma ordem natural das coisas.
De qualquer modo, o sistema capitalista tem a aptidão para capitalizar tudo, incluindo o próprio prejuízo e a própria falência.
O sistema capitalista sobrevive a tudo e ganha com (quase) tudo, com a morte, com a guerra, com a destruição, com a fome, com o talento e com a falta dele, porque é basicamente um modelo de contabilidade, em que as próprias preocupações humanas (saúde, bem-estar, justiça, paz) correspondem a um valor contabilístico e, nesta medida, até consegue capitalizar o socialismo e os afectos (o Marcelo é um caricato exemplo disso).
Na minha opinião, o capitalismo só perde quando for "capitalizado" por um socialismo qualquer que sobreponha, às veleidades e excentricidades e atrocidades do capital de indivíduos ou grupos, o interesse e a sobrevivência do colectivo.
Atualmente, a concentração de riqueza é de tal ordem que já dispararam os alertas mundiais automáticos...
Irónica e paradoxalmente, esta concentração de riqueza, com todos os seus defeitos e perigos, parece ser uma bênção para a preservação do planeta. Se distribuíssem a riqueza por todos, era o descalabro total.
O capitalismo é autofágico, mas só até ao ponto em que não é capaz de permitir a sua própria reprodução.
Exemplo disso é esta crise. Menos de um mês bastou para vermos o capitalismo a pedir socorro àqueles que sempre maltratou e injuriou e abominou e, mais grave do que isso, a defender para si mais providência do Estado do que aquela que alguma vez admitiu para os mais desfavorecidos da sorte.
Por outro lado, é sabido que o capitalismo, ou outro sistema qualquer, só irão até onde os deixarem ir.
Quando o capitalismo, ou outro sistema qualquer, deixa de servir os interesses da sociedade e começa a ser perverso e nocivo para a mesma, a distribuição de talentos cá estará para "garantir" que a justiça seja a última coisa a morrer.
Obrigar a pensar.
É possível pensar que um sistema político, económico, social... não pode ser confundido com uma ordem natural das coisas.
De qualquer modo, o sistema capitalista tem a aptidão para capitalizar tudo, incluindo o próprio prejuízo e a própria falência.
O sistema capitalista sobrevive a tudo e ganha com (quase) tudo, com a morte, com a guerra, com a destruição, com a fome, com o talento e com a falta dele, porque é basicamente um modelo de contabilidade, em que as próprias preocupações humanas (saúde, bem-estar, justiça, paz) correspondem a um valor contabilístico e, nesta medida, até consegue capitalizar o socialismo e os afectos (o Marcelo é um caricato exemplo disso).
Na minha opinião, o capitalismo só perde quando for "capitalizado" por um socialismo qualquer que sobreponha, às veleidades e excentricidades e atrocidades do capital de indivíduos ou grupos, o interesse e a sobrevivência do colectivo.
Atualmente, a concentração de riqueza é de tal ordem que já dispararam os alertas mundiais automáticos...
Irónica e paradoxalmente, esta concentração de riqueza, com todos os seus defeitos e perigos, parece ser uma bênção para a preservação do planeta. Se distribuíssem a riqueza por todos, era o descalabro total.
O capitalismo é autofágico, mas só até ao ponto em que não é capaz de permitir a sua própria reprodução.
Exemplo disso é esta crise. Menos de um mês bastou para vermos o capitalismo a pedir socorro àqueles que sempre maltratou e injuriou e abominou e, mais grave do que isso, a defender para si mais providência do Estado do que aquela que alguma vez admitiu para os mais desfavorecidos da sorte.
Por outro lado, é sabido que o capitalismo, ou outro sistema qualquer, só irão até onde os deixarem ir.
Quando o capitalismo, ou outro sistema qualquer, deixa de servir os interesses da sociedade e começa a ser perverso e nocivo para a mesma, a distribuição de talentos cá estará para "garantir" que a justiça seja a última coisa a morrer.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Entre deus e o diabo
Convidaria um grupo constituído por cientistas de todas as áreas, filósofos, historiadores, pintores, arquitectos, teólogos de todas as religiões,
professores de todos os níveis de ensino, políticos de todos os partidos, militares de todas as armas, críticos de arte, de todas as artes, economistas, fotógrafos, poetas, navegadores, cantores,
anacoretas, jardineiros, feiticeiros, romancistas, cronistas, psicólogos, pedagogos, banqueiros, capitalistas, arrivistas, astrólogos, malabaristas, agricultores, operários fabris, alfaiates, trolhas e
pedreiros, santos, sábios, altezas, vedetas, adivinhos, adultos, crianças, polícias e advogados, juízes, médicos e coveiros...
sob a advertência de que isso seria uma prova de avaliação feita por um júri constituído pela santíssima trindade, um Deus e três pessoas distintas, como condição de entrada no paraíso que fica à entrada do paraíso, onde se junta uma multidão de felizes cujo destino é aspirarem à felicidade. Mas, para alívio e incentivo à criatividade, os critérios de avaliação seriam muito gerais, não tão gerais que o Diabo tivesse intervenção na sua formulação, nem tão específicos que Deus recusasse a César o que é de César, nem ao ideal o que é do ideal.
Rafael, neste quadro, ultrapassa tudo o que alguma vez imaginei sobre o que seria a escola ideal, Platão apontando para o céu. Rafael, neste quadro, ultrapassa igualmente o que imaginei sobre o que é a escola que temos, Aristóteles apontando para o chão. E, em vez de deuses ou demónios, santos ou anjos, pinta, na sua escola, sábios, que sabem, que sabem fazer e que fazem. Em vez de símbolos do que deve ser feito, símbolos do que é feito.
Eu gostava de entrar numa escola como quem entra num templo, onde é omnipresente a voz dos sábios que não mandam ajoelhar, mas dos que proíbem que se ajoelhe, dos que provocam a luta e a rebeldia e a crítica e a justiça, a luta entre Deus e o Diabo até que um deles morra.
Rafael estava em pleno século XV, a respirar os ares da Reforma.
...Para comentarem este quadro, 
sob a advertência de que isso seria uma prova de avaliação feita por um júri constituído pela santíssima trindade, um Deus e três pessoas distintas, como condição de entrada no paraíso que fica à entrada do paraíso, onde se junta uma multidão de felizes cujo destino é aspirarem à felicidade. Mas, para alívio e incentivo à criatividade, os critérios de avaliação seriam muito gerais, não tão gerais que o Diabo tivesse intervenção na sua formulação, nem tão específicos que Deus recusasse a César o que é de César, nem ao ideal o que é do ideal.
Rafael, neste quadro, ultrapassa tudo o que alguma vez imaginei sobre o que seria a escola ideal, Platão apontando para o céu. Rafael, neste quadro, ultrapassa igualmente o que imaginei sobre o que é a escola que temos, Aristóteles apontando para o chão. E, em vez de deuses ou demónios, santos ou anjos, pinta, na sua escola, sábios, que sabem, que sabem fazer e que fazem. Em vez de símbolos do que deve ser feito, símbolos do que é feito.
Eu gostava de entrar numa escola como quem entra num templo, onde é omnipresente a voz dos sábios que não mandam ajoelhar, mas dos que proíbem que se ajoelhe, dos que provocam a luta e a rebeldia e a crítica e a justiça, a luta entre Deus e o Diabo até que um deles morra.
Rafael estava em pleno século XV, a respirar os ares da Reforma.
sábado, 4 de abril de 2020
sábado, 28 de março de 2020
O que não é possível a Deus
Se a vida não fosse maior do que nós e nós não fossemos maiores do que a vida, ter-me-ia por certo esquecido, ou nem sequer teria ouvido, ou entendido,
ou dado importância, a uma tentativa do professor de português, do Básico, de explicar para crianças o significado de absurdo.
O facto é que ficaram gravados na minha memória, o professor, o que ele disse, o contexto e a sala de aula.
Provavelmente, nem esse professor voltou a pensar no assunto.
E, dessa aula, apenas recordo esse momento.
Achei incrível que um padre (esse professor era padre) dissesse, sem subterfúgios, que absurdo é o que nem Deus pode fazer.
E deu como exemplo que, se a caneta caísse ao chão, nem Deus era capaz de fazer com que ela não tivesse caído.
Fiquei deslumbrado, porque isso punha em causa o que sempre ouvira dizer, que a Deus nada era impossível.
Mas o que não é possível a Deus, felizmente, é possível aos cientistas, aos músicos, aos pintores, aos filósofos, aos professores e aos poetas.
O facto é que ficaram gravados na minha memória, o professor, o que ele disse, o contexto e a sala de aula.
Provavelmente, nem esse professor voltou a pensar no assunto.
E, dessa aula, apenas recordo esse momento.
Achei incrível que um padre (esse professor era padre) dissesse, sem subterfúgios, que absurdo é o que nem Deus pode fazer.
E deu como exemplo que, se a caneta caísse ao chão, nem Deus era capaz de fazer com que ela não tivesse caído.
Fiquei deslumbrado, porque isso punha em causa o que sempre ouvira dizer, que a Deus nada era impossível.
Mas o que não é possível a Deus, felizmente, é possível aos cientistas, aos músicos, aos pintores, aos filósofos, aos professores e aos poetas.
segunda-feira, 23 de março de 2020
Equações=
A discussão sobre o conhecimento e sobre a linguagem, sobre as humanidades, as artes, as expressões, as ciências...não pode ignorar a ciência feita sobre essa mesma discussão e que é uma vasta filosofia, no melhor sentido da palavra, considerando as duas vertentes privilegiadas de produção de conhecimento, a dedução, a partir do que se conhece e a indução, partindo de hipóteses...
As equações são um bom ponto de partida para pensarmos na consistência dos nossos conhecimentos, sejam eles mais matemáticos ou menos.
No fundo, estamos constantemente a equacionar e a procurar resolver equações.
Neste pormenor, o que me parece distinguir mais as ciências, o conhecimento científico, das outras modalidades de conhecimento, competências, respostas, comportamentos, é sobretudo o modo e a linguagem em que equacionam os problemas e o modo e a linguagem em que resolvem, quando resolvem, as equações.
Todos nós passamos os dias a equacionar e a resolver equações e deitamo-nos com as equações, acordamos com elas e não nos livramos delas.
Todos nós passamos os dias a equacionar e a resolver equações e deitamo-nos com as equações, acordamos com elas e não nos livramos delas.
Quando resolvemos umas, logo emergem outras e isto tanto acontece na música, como nas línguas, como na pintura, na moral, ou na religião...
Na matemática, as equações, tanto quanto sei, são da ordem numérica, do mais, do menos, da multiplicação, da divisão, da proporção, da progressão, regressão, finito, infinito, etc., e o significado, muitas vezes, depende de algum atributo dos números, como, por exemplo, "3000 mortos", em que mortos é decisivo no significado.
Na matemática, as equações, tanto quanto sei, são da ordem numérica, do mais, do menos, da multiplicação, da divisão, da proporção, da progressão, regressão, finito, infinito, etc., e o significado, muitas vezes, depende de algum atributo dos números, como, por exemplo, "3000 mortos", em que mortos é decisivo no significado.
sábado, 29 de fevereiro de 2020
Precisas de ter algo mais do que razão
O pragmatismo e o realismo aconselham a que analisemos os problemas em escalas adequadas, concedendo a cada realidade a respectiva representação relativa.
Ainda não vi um método, que urge criar, de "elaboração de mapas à escala dos problemas e das soluções...".
Sem isso, andamos à deriva, como tontos, uns que colocam o problema do álcool no centro do universo, outros que colocam o centro do universo no álcool e por aí adiante.
O que me faz estar aqui a escrever, em vez de estar numa manifestação contra o governo?
E que seria melhor? Para mim ou para os outros?
Enquanto estou aqui a escrever, morre gente que outras pessoas tentam acudir, mesmo depois de mortas, com orações...
São poucas as pessoas que têm predisposição para a razão.
Na realidade, nem os crentes/praticantes da religião estão sequer tentados a interrogar-se e, muito menos, discutir, seja o que for.
Ninguém vai à igreja por uma razão que seja a de ter razão, do mesmo modo que um político não quer ouvir falar em razão, nem precisa de ter, nem esse é o seu negócio. São os interesses, o nepotismo, as alianças, os compadrios, a corrupção, os apoios, os votos, as aclamações, que valem.
Ter razão não vale nada.
Ninguém está interessado em algo que vale nada.
Alguém está interessado na morte de Deus e, mais ainda, na suspensão da morte de Deus de Nietzsche?
Os nossos governantes (a quem tudo devemos, excepto a razão) têm horror à razão e, com razão.
Ainda não vi um método, que urge criar, de "elaboração de mapas à escala dos problemas e das soluções...".
Sem isso, andamos à deriva, como tontos, uns que colocam o problema do álcool no centro do universo, outros que colocam o centro do universo no álcool e por aí adiante.
O que me faz estar aqui a escrever, em vez de estar numa manifestação contra o governo?
E que seria melhor? Para mim ou para os outros?
Enquanto estou aqui a escrever, morre gente que outras pessoas tentam acudir, mesmo depois de mortas, com orações...
São poucas as pessoas que têm predisposição para a razão.
Na realidade, nem os crentes/praticantes da religião estão sequer tentados a interrogar-se e, muito menos, discutir, seja o que for.
Ninguém vai à igreja por uma razão que seja a de ter razão, do mesmo modo que um político não quer ouvir falar em razão, nem precisa de ter, nem esse é o seu negócio. São os interesses, o nepotismo, as alianças, os compadrios, a corrupção, os apoios, os votos, as aclamações, que valem.
Ter razão não vale nada.
Ninguém está interessado em algo que vale nada.
Alguém está interessado na morte de Deus e, mais ainda, na suspensão da morte de Deus de Nietzsche?
Os nossos governantes (a quem tudo devemos, excepto a razão) têm horror à razão e, com razão.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
O professor é um escravo de todos os deveres
Pode-se dizer coisas lindíssimas sobre o papel do professor e os professores merecem e precisam que se digam. Uma delas não é certamente o mito, ideal, ou mesmo utopia, em que o professor foi sendo transformado. O professor tem muitas razões para odiar muita coisa, mas não tem outro poder ou outra saída que não seja amar tudo e todos, e de um modo que o torne ainda melhor professor.
O professor é um escravo de todos os deveres.
Não conheço outra profissão, e já exerci também, pelo menos, a de advogado, que tenha tantos deveres e esteja sujeita a tantas exigências e expectativas e críticas e manipulações ou tentativas de manipulação e assédio moral e "bullying" e comiseração.
É a única profissão em que, até os sindicatos não os representam e os tratam mal.
O professor é um escravo de todos os deveres.
Não conheço outra profissão, e já exerci também, pelo menos, a de advogado, que tenha tantos deveres e esteja sujeita a tantas exigências e expectativas e críticas e manipulações ou tentativas de manipulação e assédio moral e "bullying" e comiseração.
É a única profissão em que, até os sindicatos não os representam e os tratam mal.
sábado, 25 de janeiro de 2020
Democracia, poder de uma minoria?
É preciso dar atenção à abstenção e tirar ilações, em vez de eleições, porque a democracia
já se tornou, também nos EUA, um regime de domínio de uma minoria, a dos super-ricos, em contraste com a ideia de democracia que está na base da própria Constituição dos EUA.
Não obstante, a alternativa que alguns partidos nos apontam não é melhor. Estou a pensar naqueles que acusam (falsamente) os governos de terem andado a favorecer os mais carenciados e os que trabalham,
e que pedem mais proteção para os que vivem da exploração e da especulação e da corrupção, que já detêm o grosso da riqueza que outros andaram a criar.
sábado, 18 de janeiro de 2020
sábado, 21 de dezembro de 2019
O sentido da vida
Ainda bem que a filosofia, e não tanto a investigação empírica, não tem como objecto a formulação de receitas para responder a questões e, muito menos, a resposta teórica a problemas de ordem prática.
A própria questão do sentido dificilmente será uma questão objectiva, quanto mais a questão do sentido da vida, da minha para os outros, para mim, e dos outros para mim, para eles. E, em tudo o que tiver de objectivo, provavelmente, já não é uma questão do sentido que se interroga, mas do sentido de que se parte.
Dentro das escalas e acepções possíveis de sentidos, imediatos, de mero expediente, de sobrevivência, ou teleológicos, biológicos, culturais, é possível concluir que tudo faz sentido ou não consoante a "oferta" de "sentido" disponível na cultura.
Do mesmo modo e ainda de acordo com essa oferta, seja ela religiosa, filosófica ou científica, não existe nenhuma "oferta" meramente subjectivista. A própria religião recusa peremptoriamente qualquer resposta subjectivista, relativista, pessimista, para a questão do sentido da vida.
Dentro das escalas e acepções possíveis de sentidos, imediatos, de mero expediente, de sobrevivência, ou teleológicos, biológicos, culturais, é possível concluir que tudo faz sentido ou não consoante a "oferta" de "sentido" disponível na cultura.
Do mesmo modo e ainda de acordo com essa oferta, seja ela religiosa, filosófica ou científica, não existe nenhuma "oferta" meramente subjectivista. A própria religião recusa peremptoriamente qualquer resposta subjectivista, relativista, pessimista, para a questão do sentido da vida.
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Engodos e bluff
Quando nos sentimos obrigados a vir para a rua gritar...
As nossas percepções tendem a ser influenciadas e manipuladas e viciadas pelas forças políticas,
económicas e religiosas no terreno, que se manifestam diante dos nossos olhos e ouvidos de um modo tão virtual, com tantos engodos e bluff, com tanta representação social à mistura, que o facto de as televisões e os jornais e as redes sociais serem a nossa fonte de informação só por
si constituem um problema sério porque, de algum modo, são nossos sequestradores.
Não há uma verdade oficial. E ainda bem.
O discurso oficial, o politicamente correto, são tão suspeitos que, eles próprios, se demitiram do dever de informar, porque eles têm interesse em não informar, ou em informar apenas o que lhes interessa.
E era aqui que eu queria chegar.
Os governos devem assumir como uma das suas funções principais, através da criação de equipas técnico-científicas, não a pedagogia das populações, nem a doutrinação, nem a propaganda alienante, virtual e massificadora, mas a informação a que, objetivamente, cientificamente, já é possível chegar e o cidadão tem direito.
Este “possível chegar” não é para o cidadão comum, mas é possível para o Estado.
Acredito que os Estados mais ricos tenham capacidade para recolher (e recolham) e tratar dados (e tratem) sobre praticamente todas as áreas, nomeadamente polítcas e económico-sociais.
A explicação para fenómenos tão estúpidos e vergonhosos como racismo, xenofobia, chauvinismo, hooliganismo..., ficaria acessível ao público e a sua análise permitiria concluir muita coisa, válida e consistente, sobre a sociedade, em termos comparativos no espaço e no tempo e as tendências atuais, nomeadamente políticas, para além daquilo que sabemos pelos telejornais e pelas impressões dos nossos amigos e inimigos.
Enquanto, aparentemente, os Estados andarem todos a fazer bluff (como se estivéssemos perante fenómenos inexplicáveis e sem solução) seremos induzidos a seguir líderes de coisa nenhuma, porque tudo o que têm para nos dizer (limitam-se a ampliar populismos e demagogias à cata de votos ou anuências ou proselitismo) não vale mais, nem é melhor, que aquilo que nós sabemos.
Se soubéssemos (e acredito que há Estados e polícias que sabem) quem são os racistas, etc..., e as razões e motivos que os movem, talvez ficássemos esclarecidos sobre aspectos muito importantes, graves e deploráveis, que podemos e devemos corrigir com justiça.
As cortinas de silêncio, o clima de suspeição, a cultura de bruma e de medo, os fantasmas da guerra... são instrumentos poderosos cuja utilização interessa a quem sabe muito daquilo que nos interessa saber mas não informa, porque tem poderes para “não informar”.
No entanto, não mais basta que um grupo dominante queira isto ou aquilo.
A minha percepção é que este é o problema, mas também é a esperança de mais justiça e de mais racionalidade.
Não há uma verdade oficial. E ainda bem.
O discurso oficial, o politicamente correto, são tão suspeitos que, eles próprios, se demitiram do dever de informar, porque eles têm interesse em não informar, ou em informar apenas o que lhes interessa.
E era aqui que eu queria chegar.
Os governos devem assumir como uma das suas funções principais, através da criação de equipas técnico-científicas, não a pedagogia das populações, nem a doutrinação, nem a propaganda alienante, virtual e massificadora, mas a informação a que, objetivamente, cientificamente, já é possível chegar e o cidadão tem direito.
Este “possível chegar” não é para o cidadão comum, mas é possível para o Estado.
Acredito que os Estados mais ricos tenham capacidade para recolher (e recolham) e tratar dados (e tratem) sobre praticamente todas as áreas, nomeadamente polítcas e económico-sociais.
A explicação para fenómenos tão estúpidos e vergonhosos como racismo, xenofobia, chauvinismo, hooliganismo..., ficaria acessível ao público e a sua análise permitiria concluir muita coisa, válida e consistente, sobre a sociedade, em termos comparativos no espaço e no tempo e as tendências atuais, nomeadamente políticas, para além daquilo que sabemos pelos telejornais e pelas impressões dos nossos amigos e inimigos.
Enquanto, aparentemente, os Estados andarem todos a fazer bluff (como se estivéssemos perante fenómenos inexplicáveis e sem solução) seremos induzidos a seguir líderes de coisa nenhuma, porque tudo o que têm para nos dizer (limitam-se a ampliar populismos e demagogias à cata de votos ou anuências ou proselitismo) não vale mais, nem é melhor, que aquilo que nós sabemos.
Se soubéssemos (e acredito que há Estados e polícias que sabem) quem são os racistas, etc..., e as razões e motivos que os movem, talvez ficássemos esclarecidos sobre aspectos muito importantes, graves e deploráveis, que podemos e devemos corrigir com justiça.
As cortinas de silêncio, o clima de suspeição, a cultura de bruma e de medo, os fantasmas da guerra... são instrumentos poderosos cuja utilização interessa a quem sabe muito daquilo que nos interessa saber mas não informa, porque tem poderes para “não informar”.
No entanto, não mais basta que um grupo dominante queira isto ou aquilo.
A minha percepção é que este é o problema, mas também é a esperança de mais justiça e de mais racionalidade.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
A mais antiga tirania do mundo
Vai-se tornando notório que slogans como Livre, Liberal, Liberdade...são uma espécie de tumores cerebrais que ninguém quer. A tirania da liberdade é a mais antiga tirania do mundo. A da civilização à força vem a seguir. Quando a civilização conseguir conciliar o capitalismo com o socialismo, os interesses individuais com os interesses colectivos, sob a égide do respeito e do "culto" (de cultura) do planeta, submetendo o poder do dinheiro ao poder da razão e da ética, então pode deixar uma via de emergência aberta para quem quiser saltar fora, em vez de querer atirar os outros para fora.
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
Civilização à força
Ainda está por começar uma República, que seja democrática, respeitadora dos direitos individuais, desenfeudada dos poderes económicos organizados nos bastidores da fachada política, cujos eleitos (representantes) não sejam marionetas de um teatro que a turbamulta toma por vida e gesta de deuses e de demónios a que tem de estar sujeita.
Ainda estamos na antiguidade da organização social e política, mas acredito que não será por muito mais tempo. É como se andássemos a laborar no modelo ptolomaico por não conhecermos o modelo copernicano.
Estamos a remendar um tecido podre com todo o tipo de tecidos. Isto favorece um estado de espírito eufórico e muitas vezes alienado de crença no sistema de soluções, muito mais do que nas soluções do sistema.
Muito pouco daquilo que nos ensinam sobre liberdade e direitos e dignidade é verdade, mas nós só saberemos se descobrirmos.
As incoerências são tantas que ao defendermos a liberdade estamos a defender a prisão, a caixa.
O ensino e a aprendizagem são instrumentos que, como qualquer instrumento, não são desinteressados, nem inócuos, nem inocentes, têm objetivos.
O serem obrigatórios, em qualquer estádio de socialização do indivíduo, não pode deixar de os tornar suspeitos, de muitos pontos de vista, militar, político, económico, religioso...
Numa perspectiva de dogmática jurídico-política, sempre podemos questionar o sentido e a legitimidade da obrigatoriedade de ser civilizado, de frequência e avaliação do sistema de ensino, ou de um sistema militar, ou religioso...
Aliás, o simples facto, anódino e inofensivo, de alguém querer ser selvagem não me parece encontrar solução nem acolhimento no cardápio de direitos, liberdades e garantias, do catecismo das nações civilizadas.
Ou não vivemos numa civilização à força, que tem como bandeira a liberdade?
Ainda estamos na antiguidade da organização social e política, mas acredito que não será por muito mais tempo. É como se andássemos a laborar no modelo ptolomaico por não conhecermos o modelo copernicano.
Estamos a remendar um tecido podre com todo o tipo de tecidos. Isto favorece um estado de espírito eufórico e muitas vezes alienado de crença no sistema de soluções, muito mais do que nas soluções do sistema.
Muito pouco daquilo que nos ensinam sobre liberdade e direitos e dignidade é verdade, mas nós só saberemos se descobrirmos.
As incoerências são tantas que ao defendermos a liberdade estamos a defender a prisão, a caixa.
O ensino e a aprendizagem são instrumentos que, como qualquer instrumento, não são desinteressados, nem inócuos, nem inocentes, têm objetivos.
O serem obrigatórios, em qualquer estádio de socialização do indivíduo, não pode deixar de os tornar suspeitos, de muitos pontos de vista, militar, político, económico, religioso...
Numa perspectiva de dogmática jurídico-política, sempre podemos questionar o sentido e a legitimidade da obrigatoriedade de ser civilizado, de frequência e avaliação do sistema de ensino, ou de um sistema militar, ou religioso...
Aliás, o simples facto, anódino e inofensivo, de alguém querer ser selvagem não me parece encontrar solução nem acolhimento no cardápio de direitos, liberdades e garantias, do catecismo das nações civilizadas.
Ou não vivemos numa civilização à força, que tem como bandeira a liberdade?
domingo, 17 de novembro de 2019
Os ideais de todos e a realidade de ninguém
Enquanto as discussões sobre os problemas ocorrem sob a égide de uma suposta bondade estribada numa suposta racionalidade de uma suposta justiça classificativa e seriadora, não temos razões para pensar que aqueles que suspeitam de uma tramóia não sejam, no fim de contas, os mais devotos defensores dos princípios e do paradigma em que a mesma assenta.
Acaso alguma vez os sistemas de ensino, mesmo esquecendo a autocrática supremacia da Teologia, em tempos mais recuados, relativamente a todas as outras disciplinas, corporizaram os ideais de todos e a realidade de ninguém?
Acaso alguma vez os sistemas de ensino, mesmo esquecendo a autocrática supremacia da Teologia, em tempos mais recuados, relativamente a todas as outras disciplinas, corporizaram os ideais de todos e a realidade de ninguém?
terça-feira, 12 de novembro de 2019
A educação da linguagem/a linguagem da educação
O mundo em que vivemos atinge graus de complexidade cada vez maiores, não apenas por serem mais e maiores os problemas que enfrenta, mas também por ser tendencialmente
desgovernado, se tivermos em mente a noção de governo em que fomos "educados", mas sobretudo a ideia, generalizada, mas não aceite, de que os governantes são tão inteligentes que
nem precisaram de estudar para nos darem ordens e de que, nós, os governados, somos tão burros que precisamos de estudar toda a vida para tentarmos perceber as ordens que eles nos dão.
Os governantes "sabem", mas eu não sei, se é a educação que perverte a linguagem ou se é esta que perverte aquela, ou se a linguagem, pervertida, perversa, ou não, é um problema para a educação, ou vice-versa, embora o problema, na realidade, seja o problema da educação e não o problema da linguagem.
Os governantes "sabem", mas eu não sei, se é a educação que perverte a linguagem ou se é esta que perverte aquela, ou se a linguagem, pervertida, perversa, ou não, é um problema para a educação, ou vice-versa, embora o problema, na realidade, seja o problema da educação e não o problema da linguagem.
sábado, 9 de novembro de 2019
Nada será como antigamente
Torna-se cada vez mais patente, para não dizer evidente, que muita coisa está a mudar e, no ensino, também.
Se é para melhor ou pior, eis o problema.
Mas nada será como antigamente. E antigamente era o que se sabe: nem tudo se recomendaria.
O antigamente seria recomendável nas situações em que o presente fosse tão abonatório do passado que nem havia necessidade de o recomendar. Assim, estamos forçados a censurar e a louvar o passado pelo presente que nos "legou".
Se é preciso trabalhar muito para que tudo continue na mesma, quanto mais ou quanto menos não é preciso para mudar?
Se é para melhor ou pior, eis o problema.
Mas nada será como antigamente. E antigamente era o que se sabe: nem tudo se recomendaria.
O antigamente seria recomendável nas situações em que o presente fosse tão abonatório do passado que nem havia necessidade de o recomendar. Assim, estamos forçados a censurar e a louvar o passado pelo presente que nos "legou".
Se é preciso trabalhar muito para que tudo continue na mesma, quanto mais ou quanto menos não é preciso para mudar?
sábado, 2 de novembro de 2019
Fugir ao destino big bang
Será que podemos fugir ao destino? O destino, por natureza, é triste e, muitas vezes, trágico. Não precisamos de ser muito sábios para constatarmos
a realidade do destino. Tudo isto é fado, tudo isto é triste, ou, tudo isto é triste, tudo isto é fado. Não se trata de optimismo ou de pessimismo. Optimismo ou pessimismo, cada um toma o
que quer.
Talvez nenhuma espécie, como a humana, viva o dilema e o problema de as coisas não terem de ser como são, mas serem como são, apesar de não deverem ser como são.
Volto ao princípio: será que podemos fugir ao destino?
Tudo indica que sim e tudo indica que não. O big bang pode ser entendido como uma fuga ao destino. No entanto, cumpriu o destino. E, assim, tem sido ao longo de milhões e milhões de anos. Nos últimos séculos, os registos históricos revelam que a humanidade tem estado tão obcecada a fugir ao destino, que quase não tem tempo nem disponibilidade para mais nada. E, assim, cumpre o seu destino de fugir ao destino.
Inventa-se tudo, pensa-se em tudo, sacrifica-se tudo, faz-se tudo, para escapar ao destino. Mas o destino é cada vez mais destino.
Sem querer ser "totalitário", diria que todas as revoluções, toda a discussão e dialéctica entre o bem e o mal, toda a cultura e todas as guerras, quiseram moldar o destino e conseguiram-no.
Talvez nenhuma espécie, como a humana, viva o dilema e o problema de as coisas não terem de ser como são, mas serem como são, apesar de não deverem ser como são.
Volto ao princípio: será que podemos fugir ao destino?
Tudo indica que sim e tudo indica que não. O big bang pode ser entendido como uma fuga ao destino. No entanto, cumpriu o destino. E, assim, tem sido ao longo de milhões e milhões de anos. Nos últimos séculos, os registos históricos revelam que a humanidade tem estado tão obcecada a fugir ao destino, que quase não tem tempo nem disponibilidade para mais nada. E, assim, cumpre o seu destino de fugir ao destino.
Inventa-se tudo, pensa-se em tudo, sacrifica-se tudo, faz-se tudo, para escapar ao destino. Mas o destino é cada vez mais destino.
Sem querer ser "totalitário", diria que todas as revoluções, toda a discussão e dialéctica entre o bem e o mal, toda a cultura e todas as guerras, quiseram moldar o destino e conseguiram-no.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Democracia e boa governação
O estado crítico da matéria é um dos mais avançados estados que a matéria pode atingir.
No momento atual,
quando me perguntam em quem vou votar, sinto um nó na garganta, porque penso que está instituída uma cultura de perseguição pelo voto.
Um pouco mais de "propaganda" e essa cultura deixaria cair a máscara e mostraria, com orgulho, o rosto de alguma máfia. Se eu estivesse metido no aparelho político não falaria assim, sob pena de me considerarem louco.
Mas a sacrossanta democracia paira, com a sua auréola, apesar da inaptidão dos partidos, que têm provado não ser dignos dela.
Todos a invocam, mas fazem-no porque transferem as suas incompetências e falta de ideias para governar, para o inequívoco potencial da democracia para proporcionar as condições para o melhor dos governos. Como se a democracia, por si só, resolvesse os problemas, ei-los à cata de votos. Mas isto é enganoso, é querer que as pessoas pensem que votar resolve os problemas. Mas os problemas que a democracia resolve, ou previne, não se confundem com os problemas que os partidos são chamados, mandatados, para resolver. Democracia não é garantia de boa governação. A boa governação não é possível com os partidos que têm governado. Lançaram o país num pântano e não têm ideias de como sair dele. Eles mesmos estão atolados, atados, acusados, descredibilizados, a precisar que os salvem através do voto. O voto, para eles continua a ter um valor inestimável. Para eles, porque, para o cidadão, só tem valor na medida em que tem valor para os partidos. O que era importante, que o voto tivesse valor porque podia resolver problemas, ainda não está ao alcance do voto. A democracia não tem culpa de não termos partidos com as soluções de que tanto precisamos. Não basta ficarmos a saber de que lado está a maioria. Falta concretizar políticas que sejam as melhores.
Um pouco mais de "propaganda" e essa cultura deixaria cair a máscara e mostraria, com orgulho, o rosto de alguma máfia. Se eu estivesse metido no aparelho político não falaria assim, sob pena de me considerarem louco.
Mas a sacrossanta democracia paira, com a sua auréola, apesar da inaptidão dos partidos, que têm provado não ser dignos dela.
Todos a invocam, mas fazem-no porque transferem as suas incompetências e falta de ideias para governar, para o inequívoco potencial da democracia para proporcionar as condições para o melhor dos governos. Como se a democracia, por si só, resolvesse os problemas, ei-los à cata de votos. Mas isto é enganoso, é querer que as pessoas pensem que votar resolve os problemas. Mas os problemas que a democracia resolve, ou previne, não se confundem com os problemas que os partidos são chamados, mandatados, para resolver. Democracia não é garantia de boa governação. A boa governação não é possível com os partidos que têm governado. Lançaram o país num pântano e não têm ideias de como sair dele. Eles mesmos estão atolados, atados, acusados, descredibilizados, a precisar que os salvem através do voto. O voto, para eles continua a ter um valor inestimável. Para eles, porque, para o cidadão, só tem valor na medida em que tem valor para os partidos. O que era importante, que o voto tivesse valor porque podia resolver problemas, ainda não está ao alcance do voto. A democracia não tem culpa de não termos partidos com as soluções de que tanto precisamos. Não basta ficarmos a saber de que lado está a maioria. Falta concretizar políticas que sejam as melhores.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Património da Humanidade e Apropriação Privada
Dois indivíduos com os mesmos direitos, sendo um muito rico e poderoso e outro destituído de posses e de poder, colocam dois problemas diferentes face ao direito e à
justiça e à liberdade.
Mesmo considerando/admitindo que os direitos do(s) indivíduo(s) são ditados pelo "colectivo" (de preferência qualificado e legitimado), a história da humanidade é a história de um colectivo não qualificado, nem legitimado, mas poderoso e privilegiado, a ditar os direitos e os deveres do indivíduo.
Nem precisamos de pensar que a melhor forma de estabelecer deveres e obrigações é pela positiva, pelo reconhecimento de direitos, uma vez que os deveres, em geral, são o outro lado da moeda (ex: quanto mais forte for o meu direito à vida mais forte é o teu e o nosso dever de respeito recíproco).
Para abreviar, o que me interessa sobremaneira, nos tempos actuais, é a necessidade imperiosa (não no sentido filosófico de necessidade lógica, mas no sentido biológico e social de sustentabilidade e sobrevivência) de o colectivo assumir o controlo dos interesses colectivos, sem cedências ao egoísmo e à ganância e à irresponsabilidade social de indivíduos e grupos poderosos que não têm outros critérios, nem outros objectivos que não sejam acumular riqueza.
Nem que, para isso, tenham de destruir a humanidade.
O liberalismo e o individualismo, doravante, só têm espaço dentro de uma política de subordinação aos interesses e aos valores da comunidade, entendida como comunidade de países e de Estados responsáveis. Não obstante, tarda muito esta subordinação e tenho dúvidas acerca da sua concretização, porque até parece estar a acontecer o contrário, ou seja, o colectivo é cada vez mais insignificante e irrelevante nos cenários político-económico-financeiros.
Indivíduos e grupos detêm e dominam cada vez mais o planeta, em detrimento do colectivo (entendido como igualdade de direitos humanos, relativamente ao património da humanidade, reconhecido e a reconhecer, liberdade e não discriminação...)
Mesmo considerando/admitindo que os direitos do(s) indivíduo(s) são ditados pelo "colectivo" (de preferência qualificado e legitimado), a história da humanidade é a história de um colectivo não qualificado, nem legitimado, mas poderoso e privilegiado, a ditar os direitos e os deveres do indivíduo.
Nem precisamos de pensar que a melhor forma de estabelecer deveres e obrigações é pela positiva, pelo reconhecimento de direitos, uma vez que os deveres, em geral, são o outro lado da moeda (ex: quanto mais forte for o meu direito à vida mais forte é o teu e o nosso dever de respeito recíproco).
Para abreviar, o que me interessa sobremaneira, nos tempos actuais, é a necessidade imperiosa (não no sentido filosófico de necessidade lógica, mas no sentido biológico e social de sustentabilidade e sobrevivência) de o colectivo assumir o controlo dos interesses colectivos, sem cedências ao egoísmo e à ganância e à irresponsabilidade social de indivíduos e grupos poderosos que não têm outros critérios, nem outros objectivos que não sejam acumular riqueza.
Nem que, para isso, tenham de destruir a humanidade.
O liberalismo e o individualismo, doravante, só têm espaço dentro de uma política de subordinação aos interesses e aos valores da comunidade, entendida como comunidade de países e de Estados responsáveis. Não obstante, tarda muito esta subordinação e tenho dúvidas acerca da sua concretização, porque até parece estar a acontecer o contrário, ou seja, o colectivo é cada vez mais insignificante e irrelevante nos cenários político-económico-financeiros.
Indivíduos e grupos detêm e dominam cada vez mais o planeta, em detrimento do colectivo (entendido como igualdade de direitos humanos, relativamente ao património da humanidade, reconhecido e a reconhecer, liberdade e não discriminação...)
sábado, 7 de setembro de 2019
Democracia e partidocracia
Não existe a alternativa/opção de voto contra.
As extremas (esquerda e direita) apresentam-se como representantes do voto contra e têm vindo a ser bastante sufragadas.
Mas votar em
qualquer outro partido não é votar contra o(s) partido(s) que governa(m).
Aliás, quanto mais informação e noção das realidades político-partidárias houver, apostaria que, maior
será a abstenção.
A democracia, que existe enquanto modelo teórico, com algumas concretizações institucionais e que, sem dúvida, está consagrada na Constituição da República, está refém das instituições político-partidárias, mas a inversa não é verdadeira. Se as instituições
político-partidárias estivessem reféns da democracia, isso seria um bom princípio de governabilidade.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
As soluções e os problemas, progresso e desenvolvimento
É bom que não percamos de vista as proporções e as comparações e que tenhamos referenciais de análise e crítica, se pretendemos dizer o que é melhor.
É inevitável, quando se olha para o passado, a ideia do balanço. Mas o balanço pode ser difícil ou impossível de realizar, consoante os casos.
Fazer propaganda, com entusiasmo, seja em que situação for de avaliar serena e objectivamente, é um mau sinal. A realidade não precisa de "álcool" ou "adrenalina" para ser o que é. E nós não precisamos de "drogas" para vermos a realidade.
No fundo, tentar comparar o mundo actual com o do passado, mais ou menos recente, é tentar um exercício de ciência histórica que não está ao alcance de todos.
Tenho lido escritos de assumidos optimistas que só vêem progresso em tudo, porque acreditam que nada pode regredir e que nunca há regresso e que, aconteça o que acontecer, o que resultar será o melhor possível e que nada é melhor do que o possível. Estes, decerto, nunca se lamentam, nem queixam.
Não obstante, parecem-me deterministas a tal ponto que são os mais refinados pessimistas.
Porque "o que pode acontecer" é que lança o jogo e os humanos podem jogar muito forte, num determinado sentido. Quando olhamos para o passado e constatamos que houve um progresso, não podemos deixar de pensar que progresso é esse, qual o seu custo...
Se o progresso destruir o planeta, ainda assim é progresso?
Mais promissora e interessante do que a ideia de progresso, é a ideia de desenvolvimento e felicidade.
À luz destas ideias, vemos que, antigamente, havia problemas que nós não temos e que, actualmente, existem problemas que os antepassados não tinham.
A relação entre a quantidade e a qualidade dos problemas existentes e a capacidade, eficiência, na sua resolução, parece-me um bom rácio para fazermos comparações.
Posso estar enganado, mas a minha percepção é que a nossa capacidade para ver problemas e encontrar problemas aumentou imenso, talvez muito mais do que a nossa capacidade para resolver problemas.
Diria até que, por cada problema que resolvemos, criamos mais...
É inevitável, quando se olha para o passado, a ideia do balanço. Mas o balanço pode ser difícil ou impossível de realizar, consoante os casos.
Fazer propaganda, com entusiasmo, seja em que situação for de avaliar serena e objectivamente, é um mau sinal. A realidade não precisa de "álcool" ou "adrenalina" para ser o que é. E nós não precisamos de "drogas" para vermos a realidade.
No fundo, tentar comparar o mundo actual com o do passado, mais ou menos recente, é tentar um exercício de ciência histórica que não está ao alcance de todos.
Tenho lido escritos de assumidos optimistas que só vêem progresso em tudo, porque acreditam que nada pode regredir e que nunca há regresso e que, aconteça o que acontecer, o que resultar será o melhor possível e que nada é melhor do que o possível. Estes, decerto, nunca se lamentam, nem queixam.
Não obstante, parecem-me deterministas a tal ponto que são os mais refinados pessimistas.
Porque "o que pode acontecer" é que lança o jogo e os humanos podem jogar muito forte, num determinado sentido. Quando olhamos para o passado e constatamos que houve um progresso, não podemos deixar de pensar que progresso é esse, qual o seu custo...
Se o progresso destruir o planeta, ainda assim é progresso?
Mais promissora e interessante do que a ideia de progresso, é a ideia de desenvolvimento e felicidade.
À luz destas ideias, vemos que, antigamente, havia problemas que nós não temos e que, actualmente, existem problemas que os antepassados não tinham.
A relação entre a quantidade e a qualidade dos problemas existentes e a capacidade, eficiência, na sua resolução, parece-me um bom rácio para fazermos comparações.
Posso estar enganado, mas a minha percepção é que a nossa capacidade para ver problemas e encontrar problemas aumentou imenso, talvez muito mais do que a nossa capacidade para resolver problemas.
Diria até que, por cada problema que resolvemos, criamos mais...
domingo, 11 de agosto de 2019
A poesia está para além das estrelas e leva-as
A poesia está para além das estrelas e leva-as para lugares onde elas não podem estar, mas fazem falta. A poesia está para aquém das estrelas e
trá-las para lugares e momentos em que não seriam poéticas, se não fosse a distância. A poesia das estrelas e a ciência das estrelas não se prejudicam, mas se quiseres fazer um
poema sobre o sol é inútil reproduzir o que a ciência diz no respetivo manual. E, se quiseres explicar o que é o sol, podes precisar de citar/escrever apenas um poema... As estrelas e o astro...
sol... não são poemas, nem são ciência, mas as estrelas da minha noite e o sol do meu paraíso, ou inferno, podem ser mil poemas...
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Uma estranheza chamada Direito
O problema da justiça é que há o falar de justiça, há o dizer de sua justiça e há o fazer justiça. A única justiça (não
há outra) é que é feita. Justiça injusta é coisa que nem ao diabo lembra. É como injustiça justa.
É óbvio que a justiça é (vai ser) justa.
Mas existe
uma estranheza chamada Direito.
Aqui é que "a justiça" torce o rabo ou se torce o rabo à justiça.
Chamem justiça ao que puderem e quiserem dentro desses poderes, legislativos, executivos,
"democráticos", porque a justiça não é só dos tribunais, a destes é uma ínfima parcela e até eles não são "senhores" absolutos de si
próprios, porque o legislador é o grande justiceiro.
O Direito é o imortal fantasma que persegue os justiceiros até ao inferno, quiçá para os libertar das garras de um diabo inexistente.
sábado, 29 de junho de 2019
Estado? Capturado
A principal característica do Estado, mas que, ironicamente, não faz parte da sua definição (consultem um dicionário ou uma
enciclopédia) é que sempre esteve capturado. O que desmoraliza mais é não podermos dizer que houvesse/haja governantes e agentes políticos merecedores de distinção pela positiva.
Nos últimos tempos, graças às tecnologias, vai-se "fiscalizando" um pouco mais, mas não tem passado disso. Os processos arrastam-se, os acusados, ou suspeitos, aguentam a pressão,
e o sentimento de impunidade grassa, com graves consequências, tanto no plano ético, quanto no moral e sócio-político. Enquanto os altos "dignitários", sobretudo os envolvidos e
próximos, não tomarem uma posição de responsabilidade e de dignidade e de direito, ninguém vai mais dar crédito a uma palavra que digam. As penas previstas e aplicadas para certos
crimes que punham em causa a confiança no uso do cheque (lembram-se, ou não são desse tempo?) sustentavam-se num valor que parece não ter qualquer relevância, quando se trata de "dignitários"
políticos. Felizmente, a sociedade atual vai reagindo e vai sendo cada vez mais intolerante com os desmandos dos "eleitos". Que estes reajam à altura, em vez de se acobardarem. Mas não, declaram-se
inocentes e queixam-se de serem perseguidos. Viva a democracia!
domingo, 23 de junho de 2019
Capitalismo/Socialismo e quejandos
Sem entrar em detalhes teóricos e históricos, sugeria que analisassem o assunto na seguinte perspetiva: o capitalismo é uma prática arreigada ao longo dos séculos, um modo ainda primitivo, selvagem e natural de organizar a sociedade e a economia, praticamente desde sempre, apenas com os ajustamentos impostos pelas revoluções.
O marxismo/socialismo/comunismo foram iniciativas teóricas, de pendor científico, altamente criativas, mas terrivelmente revolucionárias, de assumir o controlo racional dos factos, políticos e económicos e culturais, em vez de ficarmos sujeitos a eles.
Quis ser uma espécie de "medicina" contra a "feitiçaria", uma espécie de ciência contra a religião e a mitologia, uma espécie de "poder da razão" contra a "razão do poder".
Não se limitaram a ser uma análise da realidade histórica do capitalismo, foram uma crítica, uma refutação da sua fatalidade e uma proposta de solução para os graves problemas do capitalismo.
Mas nunca foram, até porque depararam com tremendas resistências e oposições dos sectores capitalistas, uma prática instituída.
Na minha opinião, acabar-se-á por ter de organizar a sociedade de um modo em que o capitalismo será subordinado aos interesses coletivos e aos imperativos ambientais, da preservação da saúde e do planeta.
O que tem acontecido, até ao presente, é o contrário, é o capitalismo a subordinar e a tirar partido de tudo, inclusive de governos e de recursos naturais preciosos...
O marxismo/socialismo/comunismo foram iniciativas teóricas, de pendor científico, altamente criativas, mas terrivelmente revolucionárias, de assumir o controlo racional dos factos, políticos e económicos e culturais, em vez de ficarmos sujeitos a eles.
Quis ser uma espécie de "medicina" contra a "feitiçaria", uma espécie de ciência contra a religião e a mitologia, uma espécie de "poder da razão" contra a "razão do poder".
Não se limitaram a ser uma análise da realidade histórica do capitalismo, foram uma crítica, uma refutação da sua fatalidade e uma proposta de solução para os graves problemas do capitalismo.
Mas nunca foram, até porque depararam com tremendas resistências e oposições dos sectores capitalistas, uma prática instituída.
Na minha opinião, acabar-se-á por ter de organizar a sociedade de um modo em que o capitalismo será subordinado aos interesses coletivos e aos imperativos ambientais, da preservação da saúde e do planeta.
O que tem acontecido, até ao presente, é o contrário, é o capitalismo a subordinar e a tirar partido de tudo, inclusive de governos e de recursos naturais preciosos...
domingo, 19 de maio de 2019
Res Publica
A Res Publica, na realidade, é um equívoco tão requintado como a liberdade.
Todos sabemos que o Estado está capturado por todos os lados, sendo as partes mais
interessantes e valiosas para quem tem mais liberdade de o fazer.
O património do Estado é um colosso de ativos tangíveis e intangíveis, de goodwill, que só uma ampla liberdade de acesso
restrito (e aqui é que está o problema, o acesso restrito a quem pode e manda) permite canalizar para interesses privados (dos mesmos que, por regra e tradição, são a favor da iniciativa
privada, do individualismo, do liberalismo económico e político, enfim, de quanto menos Estado melhor).
O paradoxo está neste preciosismo de culparem o Estado de ser Público e Colectivo e Interventivo,
quando estão cheios de lucros e de soberba e de o sugarem até à falência, quando já colocaram os lucros fora do alcance do Estado, de quem se tornam devedores e caloteiros sem vergonha.
De
qualquer modo, o Estado está nas mãos deles, tanto na fase dos lucros como na fase dos prejuízos.
Eles são realmente livres.
Outros nem tanto.
domingo, 12 de maio de 2019
Política, futebol e religião
Às vezes temos a sensação de que, em política, vivemos num mundo de pernas para o ar.
O Presidente da República nem precisa de ser soldado para ser o Comandante Supremo das Forças Armadas.
O Ministro da Educação não precisa de ser professor para mandar em todos os professores.
O Primeiro-Ministro, qualquer que seja a sua formação, pode avocar todas as pastas ministeriáveis...
Um analfabeto, um crocodilo, um cabrão...Se forem eleitos por meia dúzia de votos, se tiverem a maioria, mandam (governam?) no mundo?
Não.
Há mais mundo para além da política e dos políticos. O problema são os políticos.
É o serviço que eles prestam a quem eles prestam.
Mas ainda não se enxergaram.
Ainda vivem no tempo dos Reis e dos súbditos.
Em comparação, o futebol é uma religião santa e a religião um futebol de pecadores.
O Presidente da República nem precisa de ser soldado para ser o Comandante Supremo das Forças Armadas.
O Ministro da Educação não precisa de ser professor para mandar em todos os professores.
O Primeiro-Ministro, qualquer que seja a sua formação, pode avocar todas as pastas ministeriáveis...
Um analfabeto, um crocodilo, um cabrão...Se forem eleitos por meia dúzia de votos, se tiverem a maioria, mandam (governam?) no mundo?
Não.
Há mais mundo para além da política e dos políticos. O problema são os políticos.
É o serviço que eles prestam a quem eles prestam.
Mas ainda não se enxergaram.
Ainda vivem no tempo dos Reis e dos súbditos.
Em comparação, o futebol é uma religião santa e a religião um futebol de pecadores.
domingo, 28 de abril de 2019
A liberdade não é uma bandeira
A liberdade que abril quis é uma liberdade dos amordaçados pela ditadura e dos oprimidos pela exploração e dos arregimentados à força...Mas não apenas uma liberdade de contestação, manifestação e protesto.
A liberdade dos criminosos e dos fascistas e dos arrivistas, dos corruptos, vendilhões, oportunistas, vigaristas, mafiosos...É a negação da liberdade.
A liberdade não existe simplesmente para todos. A liberdade de uns, não raro, é falta de liberdade de outros. A liberdade, em abstrato, não existe, nem sequer a liberdade de pensamento.
Ou temos liberdade de pensar, fazer e de escolher, ou de pouco vale a liberdade de protestar.
Quanto à liberdade de votar, é do mais falacioso e perverso que pode haver.
Basta ver as eleições nos regimes ditatoriais.
A liberdade dos criminosos e dos fascistas e dos arrivistas, dos corruptos, vendilhões, oportunistas, vigaristas, mafiosos...É a negação da liberdade.
A liberdade não existe simplesmente para todos. A liberdade de uns, não raro, é falta de liberdade de outros. A liberdade, em abstrato, não existe, nem sequer a liberdade de pensamento.
Ou temos liberdade de pensar, fazer e de escolher, ou de pouco vale a liberdade de protestar.
Quanto à liberdade de votar, é do mais falacioso e perverso que pode haver.
Basta ver as eleições nos regimes ditatoriais.
sábado, 6 de abril de 2019
Em nome de Deus
É desconcertante, para não dizer desconchavado, que existam profissionais da apologia e defesa de Deus, como se esse fosse o produto com mais garantia de venda e de sucesso,
pelas suas qualidades intrínsecas...
Ou como se Deus fosse um coitadinho indefeso que precisa de imensos representantes e defensores que se voluntariam para falar em seu nome...
Ou como se Deus não tivesse quem o defenda...
Creio que este tipo de pensamento/procedimento é que Nietzsche denominou de niilismo.
A não aceitação do ser, da realidade, do que é, da natureza, de tudo o que existe ou se acredita que existe, incluindo Deus, é niilismo.
Então, tudo o que seja normativo, seja ou aspire à mudança da realidade, para se ajustar a algum ideal, ou, simplesmente, a algum interesse, é niilismo.
As religiões, e não só, laboram num processo de mobilização social para um dever-ser, como se o "ser" não bastasse e estivesse nas
nossas mãos criar um outro "ser"... Talvez Deus.
Muito antes de haver uma preocupação com conhecer a realidade, o ser, já havia toda uma mobilização social e cultural, política e religiosa,
no sentido do dever-ser.
Ou seja, ainda desconheciam o ser e já lutavam denodadamente pelo que devia-ser.
Mas essa mentalidade foi interrompida com o irromper do método científico, mais focado no ser.
Até dá a impressão de que o ser pouco importava, desde que fosse aquilo que aprouvesse aos sacerdotes do dever-ser.
Não é despiciendo considerar que os sacerdotes do dever-ser falassem em nome de Deus, do sagrado, desse poder das palavras (Deus, com quem tinham conversado e de quem tinham
registado, por escrito, as falas, tendo-se investido do mérito da comunicação com o poder divino), enquanto os arautos do método científico falavam em nome próprio, sem recurso à
autoridade de musas, divindades ou potestades mas, tão simplesmente, com recurso à racionalidade.
O ser nunca foi acessível senão pelo dever-ser? O ser é um dever-ser que não é? O dever-ser é um ser que não é?
O ser nunca foi acessível senão pelo dever-ser? O ser é um dever-ser que não é? O dever-ser é um ser que não é?
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