sábado, 25 de julho de 2026

O coletivo não pensa, funciona


A forma coletiva tende a absolutizar as suas próprias articulações simbólicas. Mas não há loucos coletivos, nem responsáveis coletivos. Só há responsabilidade quando há escolha. As escolhas são de indivíduos. 
Grupos não são loucos, povos não têm psicologia coletiva, épocas não enlouquecem. 
Não é correto interpretar a rigidez simbólica para que tendem os coletivos como loucura. Simplesmente, é a estrutura da vida coletiva. O ser coletivo, estadual, geral, dominante, maioritário, não confere nenhuma garantia de liberdade, nem para os indivíduos, nem para os grupos. É que o grupo, o coletivo, os povos, também não pensam. 
Pensar é coisa de indivíduo. O coletivo não pensa, funciona. E não há qualquer vantagem, nesse aspeto, em “serem muitos”. 
O indivíduo pensa e o coletivo repete, reproduz, segue. 
A quantidade não melhora a forma, apenas reforça a forma.

Carlos Ricardo Soares