quinta-feira, 7 de maio de 2026

As implicâncias políticas com o Papa (autoridade moral e populismo)


O discurso que alterna entre a deslegitimação e a instrumentalização da autoridade moral conforme o alvo, revela um padrão de egocentrismo normativo. Tal padrão aproxima-se das estruturas pré‑operatórias descritas por Piaget como egocentrismo cognitivo das fases pré‑operatórias (aprox. 2–7 anos), nas quais a regra não é concebida como universal, mas como extensão do próprio interesse. A ausência de reciprocidade e a incapacidade de aplicar o mesmo critério a si e aos outros configuram uma moral heterónoma, típica de estádios pré‑convencionais.
A analogia é útil e não é insultuosa, porque não diz que esses agentes políticos são infantis, mas que atuam segundo uma lógica pré‑moral, anterior à aquisição do sentido da reciprocidade e da autonomia.
No plano político, esta oscilação não é um acidente retórico, porque é a própria técnica populista de captura seletiva da legitimidade.
Para estes políticos, o Papa é como o semáforo de uma criança de cinco anos: para eles deve estar sempre verde, o vermelho é para quem os incomoda.
São iguais a si próprios, sem contradição. É apenas o centro do universo a reclamar o seu lugar. A moral é um brinquedo que se usa quando diverte e que se arruma quando atrapalha.
Quem só aceita a regra quando lhe convém não tem princípios, tem idade moral.

 Carlos Ricardo Soares


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