sábado, 21 de março de 2026

Em tempos de barbaridades

Dizem o que é bárbaro
Que os bárbaros
São os que fazem barbaridades
E nós sabemos
E também sabemos quem eles são

Eles não roubam o fogo do céu
Por amor da humanidade
Nem carecem de humanismo
Que os defenda

Só o humanismo tem de ser defendido
Da fanfarronice insultuosa
Dos violadores
Dos que odeiam
E sendo poderosos
Semeiam devastação e terror
Sem limites nem contenção

Só o humanismo não se ufana
Não se camufla de retórica
Nem de sofismas
Não é idolatrado nem brande espadas
Não ostenta diademas
E o seu brilho não ofusca
Nem é ofuscado

O humanismo não é violento
É lhano e sano
Mesmo com as entranhas dilaceradas
O humanismo é invencível
Mas tem de haver quem o defenda
Tem de ser defendido

É isso que faz de alguém uma lenda
E as lendas fazem sentido
Se fizerem sentir
Que ninguém é estrangeiro
Em nenhum lugar
Não precisamos de perguntar
Quem são os bárbaros
Por mais que isso nos faça arrepiar.

                       Carlos Ricardo Soares